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Marina: 'Não vamos nos aventurar em política econômica'

25 SET 2014
25 de Setembro de 2014

A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, afirmou nesta quinta-feira que a presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, tem de “resolver o ‘angu de caroço’ em que colocou o Brasil”. Entrevistada pelo jornal Bom Dia Brasil, da Rede Globo, ela se referia ao atual cenário econômico do país, com inflação no teto da meta e baixo crescimento, e aorepresamento de preços pelo governo federal – reajustes nas tarifas de serviços que têm preços regulados pela União, como energia elétrica, combustíveis e transporte vêm sendo represados desde 2013, mas devem voltar com força no próximo ano, na avaliação de economistas.

Questionada sobre o que faria para sanar esse quadro, Marina afirmou que a primeira providência deve ser tomada pela sociedade brasileira: escolher um presidente que recupere a credibilidade e os investimentos no país, além de assegurar a autonomia do Banco Central e controlar os gastos públicos. Afirmou que o governo gasta de maneira ineficiente e reforçou a proposta de criar o Conselho de Responsabilidade Fiscal. “Boa parte do capital de que o país precisa é intangível: credibilidade, respeito a contratos. Os investidores precisam voltar a investir no Brasil. Para isso é preciso um governo que tenha legitimidade”, afirmou. E prosseguiu, alfinetando Dilma Rousseff: “Não vamos nos aventurar em política econômica. A presidente Dilma e aventurou e agora o país tem baixa credibilidade”.

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Marina se comprometeu a não elevar os gastos públicos além do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Questionada acerca do risco da medida para o crescimento, afirmou que pretende cortar os gastos ineficientes. “Cortar gastos não significa não fazer investimentos. Hoje não sabemos o tamanho e a qualidade desse gasto, que é feito de forma maquiada. O céu é o limite para o governo atualmente”, afirmou a candidata. Sobre as divergências entre seus discursos e os de membros da campanha sobre a meta de inflação, Marina afirmou que seu compromisso é manter o centro da meta em 4,5%.

Ela tratou também das questões que têm sido usadas pelo PT na campanha do medo contra sua candidatura. Marina disse que não vai mexer nas leis trabalhistas – e que pretende atualizar o texto, de forma a abranger os trabalhadores hoje na informalidade. “Quando se fala em atualização, é exatamente para manter os direitos já conquistados e ampliar aqueles que os trabalhadores precisam conquistar”, afirmou. Disse ainda que é possível aliar “economia e ecologia”. E que é preciso exigir contrapartidas da indústria na concessão de benefícios fiscais. Reconheceu, porém, que a situação é complexa: “Não se pode criar uma situação de vulnerabilidade. As empresas não podem ficar indefinidamente dependendo do governo, e os empregadores não podem de uma hora para outra perder os incentivos”.

Ao afirmar que não vai enfraquecer os bancos públicos, a ex-senadora voltou a criticar Dilma: “O que os enfraquece é pegar dinheiro do BNDES e dar para meia dúzia de empresários falidos, alguns que deram sumiço em bilhões do nosso dinheiro” Marina disse que, se eleita, vai acabar com o uso político dos bancos e que partidos políticos não terão “um pedaço da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil para chamar de seu”.

Marina ainda rechaçou a pecha de frágil, mas afirmou ser sim uma pessoa sensível. “Presidente não pode ter emoções?”, questionou. Afirmou que sua história de vida – incluindo cinco malárias, uma leishmaniose e a alfabetização apenas aos 16 anos – não permite questionamentos sobre fragilidade. “Agora, não venha me pedir para não ter emoções”, disse. A candidata do PSB lembrou ainda o choro de Lula na cerimônia de posse de seu primeiro mandato e encerrou: “Líderes que choram não são mais ou menos fracos. Que não se confunda sensibilidade com fraqueza. As pessoas que não se deixam emocionar podem ser muito fracas”. Escreva aqui seu post
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